segunda-feira, 11 de julho de 2011

Capítulo 1 - Quando o mundo nos foge das mãos...



Depois de eleger o mais perfumado e celestial ramo de flores de toda a florestaria, Joana dirigiu-se numa correria até aos arredores da Central Park. Apanhou o autocarro que parava ali monotonamente todos os dias e à mesma hora. Sentou-se bem longe dos dois ou três casais de turistas que tagarelavam retoricamente enquanto deslumbravam a beleza da cidade, pelas janelas de vidro perfeitamente limpas. Finalmente tinha chegado ao seu local de destino… o mesmo agora de todos os dias, saiu daquele autocarro que nem uma bala dispara do cano de uma pistola e deu início a uma marcha aceleradamente efusiva. Olhou de realce para o relógio de pulso e calculou mentalmente a última meia hora de visitas que tinha, para ver a sua mãe. Atravessou a indeterminável estrada (sem dar muita relevância aos semáforos) numa correria tal, que foi induzida às incontáveis buzinadelas e às dezenas de protestos críticos simultâneos, por parte dos condutores a quem descabidamente, tinha interceptado o percurso.
Encruzilhou-se o melhor que pôde por entre a vasta multidão que caminhava no largo passeio cimentado, até finalmente pressionar o puxador da enorme porta envidraçada do hospital. Imediatamente foi envolvida por um ar bastante abafado e sufocante, do calor aglomerado dos vários corpos identificados pelos rostos monocórdios que enchiam cada recanto, que se locomoviam no edifício de um modo frenético, juntamente com o sempre instalado burburinho de fundo juntando as conversas e as lamúrias dos utentes e acompanhantes… foi-lhe também perceptível de imediato pelas suas narinas, o cheiro tão agoniante e característico de um centro hospitalar… na verdade já não fazia parte de um factor incomodativo para ela, visto que já estava bem familiarizada a este ambiente.
Depois de ter bebido um café de enfiada na cafetaria do hospital, mostrou o seu cartão de visitas a uma auxiliar de enfermagem que já a conhecia ia fazer um ano, devido às suas visitas diárias… pressionou o botão e chamou o elevador.
Quando as portas se abriram, desejou intimamente ter ido pelas escadas, visto que o cubículo oscilante estava a abarrotar de gente por todas as extremidades. No fim de ter carregado no botão para o piso onde queria sair, tentou encaixar-me num recanto ínfimo junto às bordas. 
Por grande azar o seu, parecia que o tempo não queria passar e o elevador cismava em continuar com a sua subida em câmara lenta.
Talvez por graça divina, não sabe, as portas voltaram a abrir-se e Joana saiu do elevador que nem um recluso foge de uma prisão.
Enveredou pelos inúmeros e copiosos corredores, pintados por uma cor enjoativa e estagnou junto à porta do quarto 405. Recompôs-se e incinerou o seu melhor sorriso para ver a mulher da sua vida.
Deu a volta à maçaneta e abriu a porta, vislumbrou-a de imediato no recanto do quarto… lá estava ela, sentada no centro da cama com os óculos de ver ao perto encaixados na ponta do nariz, enquanto folheava com a polpa húmida do dedo, uma revista de humor ou algo do género. Ainda sem desviar o olhar do seu semblante, deu por si a reflectir… Onde estava o seu aspecto tão jovial? O seu carisma e vontade de vencer na vida? Onde estava agora a sua tão eloquente vivacidade e o brilhozinho nos seus olhos cor de mel sempre que recebia a visita da filha? É esta maldita doença a causadora deste cenário! É o Alzheimer que lhe anda a roubar a mãe! Após um longo ano, os seus cabelos dourados deram vez a uma quantidade indeterminável de cabelos brancos, grisalhos… a sua bonita expressividade facial ficou… inexpressiva, agora eram as rugas vincadas, implantadas no seu rosto que lhe davam um ar deveras, esmorecido. Tinha saudades da mulher revolucionária a quem os limites não significavam absolutamente nada, mulher que lutou pelos seus ideais até não ter mais uma réstia de forças… uma mulher detentora de um corpo esbelto e elegância embasbacante, feito de inveja a qualquer uma! Essa sim era a sua mãe!

- Joana, filha… estás bem? – inquiriu retirando os óculos, pousando os mesmos juntamente com a revista no tabuleiro branco ao lado da cama

Joana exibiu um sorriso, ficou feliz por ela a ter reconhecido. Aproximou-se e deu-lhe um beijo na testa.

- Olá mãe! Tome, são para si! – mostrou-lhe o ramo de flores

- Obrigada meu amor, são lindas! – aceito-as nos braços

Embora já tivesse o quarto repleto de flores que Joana lhe oferecia semanalmente, cada uma delas devidamente mergulhadas em jarros de água, Débora recebia cada ramo como se fosse o primeiro. Costumava dizer-lhe que as flores indumentavam vários significados, para além da vida e da morte claro, para ela nada a fazia mais feliz que meia dúzia de flores campestres.
Joana sentou-se numa cadeira.

- Como correu o seu dia? – perguntou-lhe. Tinha a perfeita noção que era bem escusado ter feito aquela pergunta, mas era sempre desta maneira que iniciavam o diálogo

Suspirou. Com a voz mais rouca que o costume, iniciou o discurso de lamúrias.

- Oh… foi igual a todos os outros dias do ano… fui submetida a uma data de exames, perguntas descabidas e ridículas, como: “Sabe em que anos estamos?”, “Ainda se lembra do nome da rua onde mora?” ou então “Pode dizer-me como se chama o seu filho mais novo?” “Vou-lhe dizer três simples palavras, e depois vai ter que as repetir: autocarro, cidade e colher”. – bufou - Sinceramente nem sei porque é que ainda se dão ao trabalho de me fazer este interrogatório todo! Sabem perfeitamente que estou doente, não adianta de nada estes exames, os médicos acham-se muito sabichões e detentores de toda a verdade, mas ainda não encontraram a cura para o Alzheimer… mais dia ou menos dia vou morrer e eles melhor que ninguém, sabem disso!

Joana estremeceu por dentro ao rever essa certa possibilidade… a partida da sua mãe! Por mais que recusasse aceitar essa triste realidade, tinha consciência que era algo inevitável, apesar dos seus bem constituídos 43 anos, a doença foi diagnosticada tarde e como consequente, agora, já vai bastante avançada e o tratamento só trás mais dias de sofrimento.
Débora voltou a suspirar. Prosseguiu.

- E cá estou eu, aprisionada a uma cama de hospital sem saber se o dia de amanhã me espera… - lamentou-se – e com estas lamúrias e futilidades todas nem te perguntei… como andas? Que tens feito? – olhou-a nos olhos pela primeira vez desde que Joana entrara no quarto

A jovem encolheu os ombros.

- Estou bem… não tenho feito nada de por aí além, não variei na minha pacata rotina se é isso que quer saber… Tenho tomado conta do Iokane, cuidado da casa e estudado para os exames.

- E divertido? – pausou – Tens saído com os teus amigos?

- Sim, tenho saído por aí com o Will e com a Sarah. – mentiu

- Joana, Joana… - advertiu-a – caso te tenhas esquecido eu ainda continuo a ser a tua mãe, conheço-te melhor que a palma da minha mão, és demasiado transparente para te deixares induzir por mentiras…

Mudou de assunto.

- E a mãe, como se sente?

- Sinto-me bem, na verdade estou melhor que nunca! – indagou enquanto recompunha a almofada junto das suas costas

- Ora… fala de mim, mas mentir com certeza que também não é o seu forte! – ironizou – Sabe que não tem precisão de me esconder seja o que for…

Débora ressentiu-se, não argumentou em sua defesa ao invés, remeteu-se ao silêncio.

Foi nesse curtíssimo intervalo de tempo que pela primeira vez, Joana vislumbrou um saquinho de morfina pendurado ao lado da cama deixando cair gotas por acção da gravidade, injectando directamente o líquido com duas agulhas soterradas no antebraço esquerdo da sua mãe. Aparentemente apareceu-lhe ser esse o “elixir” que lhe dava os momentos intermitentes de lucidez, e felizmente, este é um desses momentos… apesar de nunca saber quando a doença se sobrepõe, e a memória ou a falta dela, a volta a asfixiar levando-a de novo ao estado deprimentemente insano.

Levantou-se e dirigiu-se até à janela que permitia que a inebriante radiação solar iluminasse as quatro paredes do quarto, pousou os cotovelos no parapeito e ficou a contemplar a cidade numa outra perspectiva.

- O padrinho ligou-me ontem à noite… - retomou em conversa enquanto fixava a vida que preenchia o mundo do lado de fora

- Ai sim? E então? – o seu tom de voz surgiu entusiástico

Rodou a cabeça a 180º e olhou-a.

- Incentivou-me a ir passar uns tempos nas férias de Verão, lá a Portugal.     

- E tu? Aceitas-te? – perguntou-lhe num laivo notório de curiosidade

- Sim e não… - disse com uma expressividade incerta – na verdade nem lhe dei uma resposta concreta… claro que tenho saudades da família, mas sair de Nova Iorque e ir para Portugal, não faz grande sentido neste momento.

- Porque não? – insistiu

Queria dizer-lhe que não podia ir para fora porque não a queria deixar, muito menos agora nesta fase tão complicada em que precisa mais de si… não seria considerada uma verdadeira filha se deixa-se a sua mãe sozinha num quarto de hospital, onde a sua esperança de vida era totalmente incerta.
Não iria desperdiçar todos os momentos que podia desfrutar com ela, não era esse tipo filha, nem iria de modo algum sê-lo. Queria dizer-lhe, mas também era pelo facto de conhecer demasiadamente bem os pensamentos da sua mãe, que embora não se expressa-se, sabia que ela iria ficar ressentida consigo mesma por se achar a responsável que levasse Joana a abdicar daquilo quer e que mais gosta de fazer, ir-se-ia sentir responsável pela infelicidade da filha… e por isso mesmo a jovem optou por adverti-la.

- Apenas não estou com disposição para viajar, só isso. – ela voltou a espreitar pela janela

- E o teu pai… tens falado com ele?

Numa fracção de milésimas de segundo, a sua expressão facial modificou-se e o tom da sua voz tornou-se mais taciturno.

- Não. – limitou-se a dar-lhe uma resposta curta e directa

- Filha, sabes que não podes andar o resto da vida a culpar o teu pai pela nossa separação! Sabes que para além de não estares a ser correcta, também estás a ser injusta para com ele. – molestou

Joana tinha umas quantas para lhe dizer entaladas na garganta, desde o momento em que o seu pai resolveu mudar de ares e ir viver com o irmão para outra cidade, mas não se queria alargar muito mais na conversa, que por razões obvias, não as levaria a lado nenhum.

- Como queira. – finalizou

- Querida? – clamou-a – Vem cá, senta-te aqui! – gesticulou com a mão, dando leves palmadinhas no colchão indicando-lhe a zona onde queria que ela se sentasse e Joana fez o que lhe pediu. 

Fitou-a. Débora abriu a primeira gaveta da mesa-de-cabeceira e retirou do pequeno compartimento uma caixinha bastante avolumada, enfeitada delicadamente por um pomposo laço vermelho. Segurou-a na mão trémula, estendendo o braço para que a filha a tomasse.

- Feliz aniversário meu amor!

Ao ouvir as palavras felicitarias proferidas pela boca da mãe, os seus lábios rapidamente aperaltarem um largo sorriso.

- Eu sei que podes pensar que agora não passo de uma velha caquéctica que por vezes nem do seu próprio nome se lembra, mas já mais me esqueceria de um dia tão importante como é o de hoje! – exibiu um sorriso igual ao de uma criança de 5 anos

- Obrigada mãe! – aceitou-lhe a caixa abraçando-a com todas as forças que existiam em si, como há muito tempo não o fazia e de maneira nenhuma queria que aquele momento terminasse

Quebraram o abraço. Olhou de realce para a caixinha de chocolates que lhe acabara de oferecer, eram os seus preferidos.

- Desculpa, sei que não é nada de especial para um presente de aniversário, mas realmente não tive grandes hipóteses para te comprar algo mais… elaborado, visto que estou prisioneira neste hospital.

- Não poderia ter melhor presente de aniversário, do que aquele de estar aqui consigo! – a mãe aproximou-se e beijou-lhe a testa

- Filha, sei que estou a ser chata, mas podes dar-me um copo de água? A garrafa está aí nessa prateleira do fundo – apontou com o indicador

Ela levantou-se de imediato e começou a encher o copo branco de plástico, com água natural. Voltou-se para a mãe e estendeu-lhe com o braço o que lhe havia pedido. Estranhou tanta hesitação da sua parte, visto que não lhe aceitou o copo, em vez disso Débora limitou-se a observa-la, olhava-a sem pestanejar uma única vez. Joana ficou com bastante receio do que pudesse vir a acontecer… a sua mãe não desgrudava os olhos de seus, mirou-lhe o rosto e desvendou-lhe um olhar enigmático, uma expressão amedrontada e a cada segundo que passava, sentia-se a vacilar.

- Mãe… a água… - relembrou-a ainda de braço estendido

Voltou a perscruta-la. O seu semblante estava apavorado, tinha os olhos arregalados e incididos nos seus, as suas mãos e as suas pernas tremelicavam freneticamente.
- O que é que se passa, mãe? Fale comigo! – caminhou na sua direcção

- Não, não… não se aproxime de mim! Mantenha-se afastada! – disse protegendo o seu próprio corpo num canto da cama

Joana voltou a abeirar-se.

- Não se aproxime, já disse! – vociferou atirando o copo de água para o chão – Quem é você? O que quer de mim?! – estava cada vez mais assustada

- Sou eu mãe… a Joana! – tentou de jeito desesperado elucida-la

- Pare de me chamar isso! Eu não a conheço! Ponha-se fora do meu quarto, já!

- Por favor, não me volte a fazer isto! Outra vez não! – implorou-lhe já com as lágrimas a formarem-se no cantinho dos olhos, enquanto tentava agarrar os braços da mãe

- Não, largue-me! – tentava soltar-se, esbracejando – Socorro! Socorro! – bradava numa  tentativa louca de procurar ajuda

- Acalme-se mãe, não lhe quero fazer mal! Isto já passa, já passa! – repetia-se tentado conformar-se

Num ápice, Débora arranca as duas agulhas que expandem o medicamento nas suas veias, abruptamente, sem se importar de se ferir. Ainda tentou erguer-se da cama para conseguir escapar e consequentemente fugir da sua própria filha, mas antes que isso acontecesse, Joana apressou-se a carregar no botão encaixado ao lado da cama, chamando assim enfermeiras e com muita sorte, algum médico. Sem dar tempo de pestanejar, dois enfermeiros e um médico de cirurgia romperam pela porta do quarto, dirigindo-se até elas praticamente à velocidade da luz. Mandaram Joana afastar-se enquanto os enfermeiros amarravam Débora à cama, injectando-lhe um calmante… ela mexia-se e remexia-se tentando soltar-se mas de nada lhe valia, outro ataque alusivo à sua doença a tinha arrastado e espezinhado novamente, sem qualquer pudor ou misericórdia. 

- Não pode ficar aqui, vai ter que se retirar! – disse o médico à rapariga, dirigindo-se a ela a passadas largas

- Não me peça uma coisa dessas, eu não vou abandonar a minha mãe, não vou! – vociferou, deixando escapulir as lágrimas, denuncia de afronta e agonia

Quando apanhou o médico a fitar outro ponto, aproveitou e esquivou-se indo ao encontro da mãe, numa tentativa desesperante de lhe devolver a memória e amarra-la aos seus braços. Antes que o pudesse fazer, Stephen – era o nome do médico – encurralou-a pela cintura, prendendo-a contra o peito com os seus dois braços fortes, impedindo-a de dar mais um passo.

- Faça o que lhe peço por favor! – aconselhou-a ele

- MÃE! MÃE! – gritava ela, num choro compulsivo deixando as lágrimas escorrerem lhe pela face em catadupa

Stephen apressou-se a retira-la daquele quarto arrastando-a consigo até ao corredor.

- Eu tenho que estar com a minha mãe, não a posso deixar sozinha! – gritava-lhe soltando-se dele

- A sua mãe não vai ficar sozinha! Nós estamos cá para tudo o que ela precisar! – tentou tranquiliza-la

- Você é médico, não percebe nada do que falo! Não vou permitir que lhe façam mal! Ela precisa de mim! – tentava novamente interpolar o quarto

- Oiça, aqui ninguém irá fazer mal à sua mãe, apenas a estamos a tentar ajudar.

- Eu não preciso que vocês se limitem a tentar, eu preciso que consigam! – deixou-se induzir novamente por um choro intransigente

- Vá para casa, aparenta um ar cansado… durma e volte amanhã, de certeza que irá encontrar a sua mãe com um melhor aspecto. – pausou procurando os olhos dela – Eu garanto-lhe! 

Joana ainda sentiu uma necessidade enorme de ripostar, mas tal como das outras vezes que davam estes ataques à sua mãe, já não poderia estar com ela no resto do mesmo dia, e hoje não iria ser de maneira diferente. Sentiu-se vacilar, até se ressentir. Enxugou a face aos punhos do casaco de malha que indumentava, tentando controlar o avassalamento de lágrimas que se avizinhava e começou a afastar-se sem mais nada dizer ao médico. Arrastou-se pelos corredores de olhos esbugalhados, sentia-se que nem uma inútil e naquele momento, a vontade de desaparecer do mapa era bastante superior à de querer permanecer naquele leito de injúrias e sofrimento. Ao fundo da ala conseguiu discernir a silhueta inconfundível da melhor amiga. Apressou-se a correr na sua direcção.

- Sara! Sara! – atirou-se nos braços dela entregando-se a um choro compulsivo

- Joana, o que tens? Que se passou? – afagou-lhe os cabelos

- Leva-me daqui, preciso de sair daqui…



Espero que tenham gostado!
Não se esqueçam de deixar a vossa opinião, é muito importante e
é  sempre um incentivo para continuar! :)
Beijinhos,
Joana   

Personagens


Ricardo Daniel Pereira de Andrade – Empresário de sucesso internacional, conhecido pelos famosos hotéis de cidade de São Francisco, na Califórnia. Homem de 48 anos é pai de Joana e Salvador. Faz os impossíveis para proteger quem mais ama, apesar do trabalho ser o factor consequente que o separa da família. Bastante persistente e conservador, Ricardo nasceu no seio de uma família de valores conceituados. Todavia, embora a distância que assume com a filha mais velha e da relação de que ambos não ser a mais harmoniosa, consegue ser um pai bastante protector e restrito, o que implica uma vigília no que diz respeito à liberdade de Joana, impedindo-a por vezes de tomar o partido das suas próprias escolhas e acatar com as suas decisões.


Joana Margarida Freitas de Andrade – Jovem de 20 anos, filha de pai lisbonense e mãe portuense. Neste momento vive com a sua mãe Débora, nos subúrbios de Nova Iorque, enquanto que o seu pai gere uma pequena cadeia de hotéis, no lado oposto da cidade das luzes. Foi praticamente “obrigada” a crescer mais depressa, consequente à difícil separação dos progenitores, há cerca de três anos… visto que as responsabilidades dispararam estrondosamente quando a sua mãe decidiu recomeçar com uma nova vida noutra cidade. É uma jovem modelo promissora e está no segundo ano da Universidade Rochester a tirar Direito, seguindo assim as pisadas da mãe.


Salvador Freitas de Andrade – Rapaz de 10 anos, é o irmão mais novo de Joana. Vive com o seu progenitor logo após a separação dos pais. Apesar da sua tenra idade, já mostra ser um jovem de ideias bem assentes, seguramente convicto das suas capacidades, em que a última palavra é sempre sua. Apesar de camuflar a tristeza que sente por não ter a presença assídua da sua mãe e irmã com a sua ainda frágil maturidade, é um menino extremamente dócil e afectuoso.


Rui Costa – Homem de 39 anos, é director desportivo do Sport Lisboa e Benfica. Amigo de longa data de Ricardo, é também padrinho de Joana. Homem de princípios e de ideias bem fixas, vai-se tornar no grande apoio e confidente da sua querida afilhada.    


Virgílio Costa Amorim - Homem de 52 anos, pai de Ruben e tal como o filho, é benfiquista de alma e coração. Homem diplomático e conceituado, valoriza as regras acima de tudo e muito dado ao respeito. Mas é quando a nova relação amorosa do seu filho mais novo vem à superfície, que se vê novamente confrontado com a tão desgostosa rivalidade de uma vida.


Anabela Francisco – Mulher de 47 anos. É proprietária de um badalado salão de beleza. É uma mulher afectuosa e justa, alheia aos preconceitos dos demais, vai ser o braço direito do seu filho Ruben, apoiando-o no seu relacionamento… mesmo contra todas as barreiras que os confrontos de um passado ainda por encerrar, se impõe no caminho da vida.


Ruben Filipe Marques Amorim – Jovem médio do clube encarnado, tem 25 anos. As melhores virtudes que herdou da parte da mãe, foram a generosidade e o bom coração. Discreto e sempre pronto para a brincadeira, é especialmente conhecido pelo sorriso que faz arrebatar corações, Ruben é também um rapaz dócil e sempre pronto a ajudar. Um eterno amante da vida.


Mauro Amorim – Tem 27 anos, irmão mais velho de Ruben. É uma pessoa de bom carácter, destemido e um óptimo conselheiro. 


Inês Azevedo Monteiro – Jovem de 23 anos, é namorada de Ruben onde mantém a relação sólida desde há dois anos. Jovem estilista, conheceu o jogador num jantar proporcionado por amigos em comum e desde aí que a empatia e a cumplicidade se tornaram nos factores mais versáteis entre ambos.


David Luíz Moreira Marinho – Jovem de nacionalidade brasileira, brilhante defesa central do Sport Lisboa e Benfica, tem 23 anos e é o melhor amigo de Ruben Amorim. Lutador e conquistador de sonhos, nunca se limita a baixar os braços e desistir quando ainda acredita que há hipóteses para se vencer na vida. É um rapaz carinhoso, honesto e sempre com uma palavra amiga a dizer.


Adriana Sofia Côrte-Real – Jovem de 21 anos. Namorada de David há mais de um ano, relação que nasceu depois de se terem conhecido numa noite Lisboeta. A cumplicidade é evidente entre ambos e o amor que nutrem, tornasse mais forte e duradouro à medida que o tempo passa. A jovem morena irá tornar-se amiga fiel e dedicada de Joana, assim que esta regressar a Portugal. É honesta, confiante e muito doce. Um modelo a seguir.  


William Bradley O’malley – Jovem nova-iorquino de 22 anos, é ex-colega de faculdade de Joana, em que depois de um pouco mais de um ano partilharem da cumplicidade de uma bonita amizade, as garras do amor encruzilharam-nos numa armadilha, mesmo apesar de nunca terem assumido nenhum compromisso relevante. É um rapaz surpreendentemente educado, carismático e bastante ambicioso.


Sara Duarte Cerqueira – Tem 20 anos. Melhor amiga de Joana desde que esta se mudou para a cidade de Nova Iorque. Racionalista e perspicaz são as palavras que melhor a caracterizam, deixando que por vezes o seu valor racional seja demasiado directo, vindo até a ferir, mesmo sem ser propositadamente, susceptibilidades. Apesar de tudo Sara é uma jovem apaixonada, sensível e com grande espírito de companheirismo. É na pior fase de vida da melhor amiga, que vai ser um grande apoio para a mesma.